sábado, 30 de abril de 2016

Aula 7

Aula ? (7, perdi a conta) - Celular, Jesus e Ciborgues - 18/04/2016

  • Informações Gerais

Essa palestra foi concedida por Marcelo Pereira, um professor da PUC. Na verdade eu deveria dizer "O" professor da PUC, parece que todo mundo gosta dele, e por isso tem quase o monopólio de paraninfo na formatura... ok né?

O foco dessa palestra foi telefonia (no título está escrito celular propositalmente). Também foram tratados como tema a ubiquidade (capacidade de você ser onipresente *Jesus*) e o Transumanismo (nunca sei escrever isso [tem H?], que é algo próximo de um ser humano com peças robóticas *ciborgue*).

Eu vou resumir a palestra basicamente falando tudo sobre celulares e depois, quem sabe, tratar dos temas que mais me intrigaram. O problema que vejo é que são temas... como posso escrever... sensíveis.


  • Os celulares
Eu não sei se devo tratar deles da maneira como o Marcelo abordou; ele falou das gerações da telefonia (2.5, 2.75, 3, 4 etc...) de acordo com as mudanças que cada geração pretendia trazer. Mas nem todas trouxeram o que prometeram, e essas gerações são muito confusas na minha opinião (...), então acho que vou contar sua história de uma maneira diferente, mas sem fugir muito da aula.



Bem...a ideia de um celular só começou a ser difundida em 1956, e o primeiro projeto de um celular (que era basicamente um rádio), em 73. Mas o primeiro celular a ser oficialmente vendido foi só em 1983. 

Era uma vez, antes de tudo isso, em 1928, dois carinhas. Um se chamava Paul, e outro se chamada Joseph. Um dia Paul decidiu... - não, vamos parar com essa historinha de criança. Esses dois criaram o primeiro rádio comercial para automóveis, e fundaram a Motorola em 1930. No início, esses rádios para automóveis eram usados pela polícia e por caminhoneiros, pois a comunicação desses motoristas com suas centrais de comando eram essenciais para o desempenho de seus trabalhos. Mas isso não quer dizer que não existia para carros comuns também. Claro, carros naquela época eram raros e o rádio era uma completa porcaria, mas existia.

Em 1973, data já anteriormente citada, foi criado o primeiro celular, por Martin Cooper (atualmente, um vovôzinho de seus 87 anos), mas não deixava de ser um rádio, pois usava estações etc.

Dez anos depois, a telefonia analógica foi inventada e ocorreu a venda do primeiro celular (já dito também). Telefonia analógica é aquela com a rodinha na hora de discar os números, e a onda sonora se propagava em meios diferentes durante a comunicação pelo telefone/celular, o que tomava maior tempo de resposta e poderia ocorrer falhas.

Martin Cooper mostrando um celular e um tijolo
Felizmente, damos um enorme salto, e por volta dos anos 2000 foi criada a segunda e meia geração de celulares (2.5G), concomitantemente à digitalização das ondas sonoras. O que tudo isso quer dizer? Basicamente, que cada canal (faixa de frequência de ondas sonoras) permitia mais de apenas uma conversa, que o som era transformado em sistema binário para ser transmitido (não é mais analógico) e que agora era possível enviar mensagens de texto (de até 160 caracteres, um Twitter). Tudo isso tornou os celulares mais acessíveis e mais difundidos pelo mundo (+ pessoas podem usar, + pessoas querem usar, + esforço para baratear o custo de produção, menor preço). Isso sem contar que a partir das gerações 2.5/2.75 os celulares ficaram cada vez mais compactos (ver foto acima).

Há indícios que era possível enviar/ver vídeos, mas em "potato quality" (ou seja, bem ruim).


As últimas gerações (3, 3.5, 3.75 e 4) pretendem convergir toda a informação (som, mensagens, vídeo etc) no canal de dados. Ou seja, querem que o som no celular seja transmitido através do sistema binário, e não mais pelo canal de voz. Nem é preciso falar que isso não aconteceu. Ainda. 

Agora para abrir a mente: sabes essa coisa de 3G/4G nos celulares? É exatamente isso. Terceira Geração e Quarta Geração. 

Somando essa informação a um ser humano com um QI de aproximandamente 37.12, chega-se à conclusão que estamos vivendo nessas Gerações de telefonia.

  • Ubiquidade (capacidade de ser Jesus)
Essa seria a geração na qual todos estariam conectados 24/7 e os celulares seriam absurdos e fariam tudo porque eles são Jesus. Aparentemente impossível, mas como dizia Arthur C. CLarke (que por sinal eu já havia ouvido falar antes de fazer parte dessa aula):

"Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia"

(essa é possivelmente a maior verdade do universo)

O homem foi à Lua com um computador de de alguns Kbps, e hoje em dia temos celulares com vários Mbps. Interessante, não?


Foram citados como parte desse tema Casas conectadas e dispositivos vestíveis. Imagine-se como sendo o Homem de Ferro, é basicamente isso. Sua casa é inteligente e responde a comandos de voz e movimento e você veste dispositivos eletrônicos. Obviamente, as casas de hoje em dia não têm inteligência artificial, e os dispositivos que vestimos não são armaduras de metal que lançam mísseis, mas acho que vale uma comparação. Quem sabe no futuro tenhamos tecnologia suficientemente avançada para termos esse tipo de estrutura.



  • Transhumanismo (botei com H dessa vez)

Esse é um conceito bastante discutido (e assustador). Consiste em criar aparelhos para melhorar as capacidades física, pscicológica e intelectuais humanas. Isso pode ser algo simples como botar alguma forma de braço biônico (para substiruir um membro) ou algo mais elaborado, como evitar o envelhecimento e mudar a estrutura do corpo humano (criar um braço robótico a mais, por exemplo. Não deve ser muito difícil...)

Biohacking -> consiste em misturar partes orgânicas e eletrônicas para "criar algo novo". Digamos assim... fazer um corte no seu braço e colocar um celular ali dentro, só de sacanagem. Essa área ainda está restrita ao "faça você mesmo", e realmente acho que deveria estar. Imagine colocar imãs por toda a área das palmas de suas mãos. Você ia virar o Magneto.

Inteligência Artificial -> é o que é. Uma inteligência que não é natural, uma que os seres humanos programaram em uma máquina, e que geralmente é muito mais adaptada do que a nossa. É capaz de vencer até o melhor dos homens em jogos de estratégia, como xadrez. 

Inteligência Compartilhada -> está ligada à ubiquidade do celular. O fato de se estar sempre conectado permite a troca de informações, e essa cria algo como se fosse um banco de dados, onde toda a informação está contida. É como um cérebro para o qual várias pessoas enviam seus pensamentos e que, por isso, evolui muito rapidamente.



ACABAMOS O CONTEÚDO PESADO DA AULA, AGORA VAMOS AOS MEUS PROBLEMAS!!

Primeiro lugar: foi dito, durante a palestra, que cada celular tem um sistema de GPS. Este fica ligado 100% do tempo, mandando informações de sua localização para os criadores do seu radinho de bolso. Interessante, não? Não. Deve ser muito fácil crackear esse sistema e obter informações sobre a localização de outras pessoas. Os celulares, inclusive, aprendem.

Pega-se o carro. Conecta-se o celular à ele e vai para o trabalho. Depois de uma semana, o celular te dá o tempo para chegar à tal lugar. Depois da segunda semana, te dá o melhor caminho. Quando você vê, está lhe dizendo tudo isso só de entrar no carro no horário usual, e ainda chamando seu destino de "trabalho". Como ele consegue essas informações? Simples: ubiquidade. Ele pega suas informações de diversas redes sociais (que disponibilizam sem te perguntar, através dos "termos de uso") e usa isso para "facilitar" a sua vida.

É perigoso ter esse tipo de informação em um aparelho descartável, ainda mais que esses celulares estão "aprendendo" sobre a vida de cada um conforme os dias passam. Eu sempre desabilito toda e qualquer coisa relacionada a localização e aprendizado de máquinas, inclusive evitei usar o Facebook por 18 anos, mas não tenho dúvidas que ainda conseguem ver o que não quero que vejam. Como posso ter certeza que só porque não quero que o GPS do celular mostre onde estou, ele vai parar de enviar informação aos fabricantes sobre a minha localização? Assustador.



Outra coisa que me irrita... por que o ser humano faz tanta questão de criar algo mais inteligente e melhor do que ele? Não vêem filmes de ficção científica? Máquinas escravizando homens? Nada? Acho muito provável que esse tipo de coisa aconteça no futuro. E a questão não é nem "ter cuidado para que a inteligência artificial não tome conta de tudo". É muito mais "ter cuidado para não criar uma inteligência artificial que aprenda muito mais rápido do que a gente, e que assim evolua até que não possamos fazer mais nada para pará-la". 

Uma história que um dia meu pai me contou, e que acho que faz parte de um dos livros de Arthur C. Clarke, era que em um futuro incrivelmente distante, no qual o homem conquista todo o universo, o último homem vivo (pouco antes de morrer) faz um pedido à última máquina (um computador infinitamente superior aos de hoje). Essa máquina então passa anos, séculos, milênios pensando em como realizar o pedido desse homem. E, muito depois  que o universo acabou, a máquina diz: "Faça-se a luz", e a luz foi feita.

Se não me engano a história acima é do mesmo livro em que Clarke cita seus dizeres "Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia". Mas imagine: será que conseguiremos criar um computador-Deus que não se volte contra nós?



Terceira e última questão: até que ponto é saudável fazer modificações no corpo humano? Eu por muito tempo tive o sonho de ser imortal: não apenas viver para sempre em termos de idade, mas de manter aparência jovem mesmo com milhares de anos. Mas já não quero mais isso. É duro falar assim mas...acredito que estamos evoluindo por um caminho ruim. Já driblamos a Seleção Natural. Já estamos tão bem adaptados a todo o ambiente que modificações no DNA têm alta probabilidade de serem desvantajosas. Por que querer ser perfeito então? Por que querer envoluir incessavelmente fisica e intelectualmente se isso pode trazer caos dentro de nosso sistema social? Há vários filmes e livros que tratam desse assunto: sociedades mutantes nas quais seres humanos metade-máquinas existem e por isso causam medo e estranheza nos normais. Isso para não dizer que os excluem ou exterminam. 

Um filme que tangencia essa questão é "X-men: dias de um futuro esquecido". Os humanos criam máquinas capazes de se adaptar a níveis absurdos para que exterminem os mutantes (seres com alguma modificação no DNA que têm habilidades especiais), que os causam medo. E essas máquinas não só se adaptam copiando as habilidades dos mutantes, como também têm inteligência artificial compartilhada e prevêm o futuro. Assim, exterminam todos os seres que algum dia na sua linhagem familiar possam gerar uma mutação, e aprisionam os que não podem. 



É incrível pensar que algum dia o ser humano  possa vir a causar o seu próprio fim, e é assustador pensar que a cada segundo que passa nos aproximamos mais dele.






Referências:

Palestra em questão

Mini dicionário Houaiss 3a Edição

Filmes como "Eu, robô" e "X-men: days of future past"

Bom senso

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